Em um momento em que o Chipre enfrenta um dos maiores desafios sanitários para seu setor pecuário em décadas, a empresa argentina Biogénesis Bagó enviou uma primeira remessa de doses de vacina contra a febre aftosa para apoiar a campanha de imunização de emergência promovida pelas autoridades veterinárias do país.
A operação estabelece um precedente para a saúde animal europeia: é a primeira vez que um Estado-membro da União Europeia recebe vacinas contra a febre aftosa produzidas na Argentina. Até então, o bloco comunitário era abastecido exclusivamente por fabricantes europeus. “É um marco, pois se trata do primeiro envio de uma vacina desenvolvida e produzida na Argentina para um país da União Europeia. O mundo em geral e, neste caso, o Chipre em particular enfrentam uma demanda não atendida por vacinas contra a febre aftosa em consequência dos surtos que estão ocorrendo. Nossa experiência em desenvolvimento, a capacidade de responder a esse tipo de emergência e a qualidade de nossos produtos nos colocam em uma posição relevante, que nos permite estar presentes, como fazemos atualmente na África do Sul e em Israel”, afirma Esteban Turic, CEO da Biogénesis Bagó.
O Chipre perdeu seu status de país livre de febre aftosa sem vacinação perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em 19 de fevereiro, após a detecção de vários surtos na região de Lárnaca. Desde então, as autoridades implementaram restrições à movimentação de animais, suspenderam as exportações de gado vivo e iniciaram um programa de vacinação emergencial para conter a propagação do vírus.
“Quando a doença começou a se disseminar pelo território, ficou claro que continuar exclusivamente com o abate sanitário implicava perdas econômicas muito elevadas, além das indenizações aos produtores. A vacinação representa uma alternativa muito mais eficiente para o país e a região, tanto do ponto de vista sanitário quanto econômico”, afirma Turic.
A situação epidemiológica na ilha apresenta características particulares. O surto está associado ao sorotipo SAT1, uma variante originária do sul da África que também foi detectada em Lesbos (Grécia), Israel e Turquia. Esse sorotipo requer vacinas específicas, já que as formulações habitualmente utilizadas em outras regiões não oferecem proteção adequada.
A capacidade da Biogénesis Bagó de responder a essa emergência também se apoia em evidências científicas recentes. Um estudo realizado pela Wageningen Bioveterinary Research, laboratório de referência mundial em febre aftosa, validou que a vacina produzida pela companhia proporciona 100% de proteção contra a cepa do SAT1, topotipo III, quando administrada em um esquema de duas doses, e 86% de proteção com uma única dose.
As soluções da Biogénesis Bagó chegam atualmente às Américas, à Europa, à Ásia, ao Oriente Médio e à África, apoiadas por uma rede composta por 13 subsidiárias, oito unidades produtivas distribuídas em seis países e uma capacidade instalada para produzir 450 milhões de doses de vacinas por ano.
O envio de vacinas ao Chipre soma-se a uma presença crescente na Europa. A partir de sua subsidiária na Espanha e com capacidades produtivas nesse país, a Biogénesis Bagó trabalha para levar sua experiência em biotecnologia veterinária, prevenção de doenças e transferência de tecnologia a um dos mercados mais exigentes do mundo.